A vida está à espera, com os seus detalhes: luz/sombra; becos/avenidas, lágrimas/gargalhadas. Continuo à procura de mim mesma, e sinto, cada vez mais, que essa procura é o meu motor.

Gosto de viver dentro da minha cabeça, sempre assim foi, e às vezes com um sentimento muito forte de isolamento. Mas os universos mais bonitos que imagino, e as emoções mais puras e espontâneas, surgem a partir da interacção com as pessoas com quem me cruzo. Às vezes estranhos, sem qualquer relação directa, que apenas AVISTO ao longe mas a quem consigo verdadeiramente abrir o peito, rendida, e com quem, por breves instantes, se dá uma conexão humana transformadora. Essa conexão é energia pura, e só possível vivendo, mas vivendo a sério. Estando disposta a desafiar-me continuamente, saindo da minha zona de conforto.

Conexão. É isso que as palavras me proporcionam. Ao escrever, abro uma janela, em cujo parapeito se expõe, em tom desafiante, o meu eu interior.

A reboque de uma mudança de vida significativa, tomei a decisão de criar este espaço. Nos primeiros dias achei que estava a sonhar, que só podia ter perdido o juízo, e confesso que por vezes ainda acho. Mas isso é só o meu medo a falar. E o medo é uma emoção que decido não alimentar.

Felizmente, e apesar das diversas vezes em que duvidei se o deveria fazer, já com o processo em curso, consegui manter essa decisão firme.

Não é fácil expor-me, e este projecto, para resultar, tal como o idealizo, vai exigir isso de mim. Vai exigir que me exponha, vai exigir que eu consiga pôr cá para fora ideias que aliciem outros criativos a fazerem parte da sua viagem comigo. Como a Joana, ilustradora (entre tantas outras coisas), cujo talento está bem presente nas ilustrações deste site.

Mas neste processo, enfrentando estes medos, e com o objectivo de concretizar esta ideia, dou por mim a reconectar-me comigo mesma, com pessoas com quem havia convivido de mansinho no passado, com velhos amigos de há muito, e também, com pessoas que, sem qualquer aviso, entraram pela minha vida a dentro, enriquecendo e contribuindo para esta viagem e cimentando esta malha que nos une a todos enquanto seres humanos. Este projecto resulta da contribuição de todas as pessoas que fui recolhendo nesta viagem. Conexão.

Agora que ele está cá fora, cabe-me a mim, zelar para que cresça, para que ganhe vida própria, e nos conecte, contribuindo para as nossas viagens. Só assim faz sentido para mim.

 

Aqui estou, À VISTA.