Quantos de nós, já conheceram uma pessoa, de forma completamente inesperada, começaram a falar, impossível de negar a química – intelectual e física – e em pouco tempo já estão completamente enrolados? Pois, eu já, por mais do que uma vez.
Estou aberta à vida, acho que não me devo recusar a nenhuma experiência (porque não me posso recusar a viver), desde que tenha uma certa noção de onde me vou meter!
Saí de algo “recentemente”. “Recentemente” porque embora a separação se tenha confirmado num momento, na verdade já se antecipava desde o início. (foi um fogo demasiado intenso, consumiu tudo num ápice e extinguiu-se naturalmente) mas vá, a oficialização é recente. Com esta pessoa em questão, sempre soube do início que não iria além do físico, mas a verdade é que eu estava a ficar um pouco mais afeiçoada do que devia, mesmo sabendo que não havia futuro ali, mesmo havendo, vá, sentimentos de ambas as partes…
A verdade é que nem eu nem ele estávamos abertos a que aquilo passasse dali, com ou sem sentimentos. Ia dar merda.
Não se tratou de uma questão de nem sequer querer arriscar, eu senti mesmo que não havia abertura da outra parte, mesmo que, por vezes, algumas atitudes mostrassem o contrário. Mas entrei naquilo com um limite muito bem definido. Durante quase toda a duração do nosso caso, eu nunca lhe mostrei, ou fiz entender, pelo menos conscientemente, de que algo estava a mudar para mim. Vesti a armadura. Quanto mais eu sentia, mais lutava comigo mesma, mais ia ficando mais ansiosa, a sofrer por antecipação, e a verdade é que quando finalmente decidi deixar de lutar contra mim mesma e encarar a situação, da forma o mais natural possível, e o mais realista possível, sosseguei.
Deixei de me debruçar no assunto porque na minha cabeça estava tudo resolvido. Só porque deixei de lutar com o que sentia e aceitei a realidade, e acima de tudo, era o que eu queria. Ponto.
Ora, posto isto, pergunto-me: será que custa assim tanto deixar para trás alguém que não nos quer? Nem por isso. Acredito profundamente nisto porque a vida, e este episódio em particular, me tem ensinado que nós recebemos o que damos. Porque é que nos escondermos atrás de uma armadura, porque é que não nos mostramos, sinceros, frágeis, tal como somos, perante a outra pessoa, de peito aberto? Talvez assim o outro se sinta à vontade para também se abrir. Sem maioneses espirituais que não sou muito disso, mas eh pá, o universo devolve o que lhe damos. Par acção-reacção. 3ª Lei de Newton. É ciência!
Portanto, sigo, de peito aberto mesmo, sem inseguranças, mostrando quem sou, e o que sinto, sem esperar nada em troca. Porque se a pessoa que está do outro lado, não for sensível a quem somos na realidade, então também não vale a pena.
E agora pergunto novamente, reformulando ligeiramente a pergunta: custa assim tanto deixar para trás quem não nos quer por quem somos?
