Farta de histórias de maldade, tenho necessidade de partilhar algo que me aquece o coração. Algo que me faz acreditar na bondade humana e na beleza que existe nas coisas mais simples:
Há um senhor aqui de Paderne, de uma certa idade, que anda já com muita dificuldade, mas com um ar duro, rude, de homem marcado pelo trabalho, e quiçá pela vida. Atrás dele, segue sempre o cão, esse claramente ancião, que se movimenta também com já bastante dificuldade. Não sei se o cão anda devagar para acompanhar o companheiro, ou se o senhor anda devagar para o cão o poder acompanhar.
Nunca vi um sem o outro. Vejo-os sempre juntos.
O cão leva uma trela comprida, mas segue o seu companheiro como se fosse a sua sombra, como se a trela fosse apenas a representação física do laço que os une.
Já por várias vezes esta dupla me chamou à atenção, e parece que o cão, pertencia a um dos melhores amigos do actual companheiro. O senhor morreu, e o amigo adoptou o cão.
Olhar para eles dá um aperto no peito, mas um aperto bom! São um poema vivo.
E pronto, era isto que queria partilhar… a beleza da vida está nestas coisas… somos pressionados a perseguir coisas que não nos fazem felizes, e por isso estamos sempre à procura de qualquer coisa, que nunca encontramos. Nunca vamos encontrar, porque a beleza da vida está nestes pequenos poemas do quotidiano. E eles estão por todo o lado, basta estar atento.
