Passeio de sábado, crianças a brincar, frente ao mar. Bicicletas a rolar, casais a namorar, famílias inteiras, várias gerações a passear, cães a ladrar e a saltar.
Sábado de verão. Na doca de pesca reina o sossego. Traineiras regressadas da faina, redes e caixotes arrumados, gaivotas voam em círculos, fazem razias, procuram vestígios do que ficou por arrumar.
Entre o colorido dos barcos de pesca o silêncio impõem-se, apenas perturbado pela vibração das cores garridas, fulminantes, da sua decoração.
Mas não é só a cor que rasga o sossego. Ao longe, a bordo, solitário, toca um rádio a meia voz.
No meio da agitação das crianças a brincar, das bicicletas a rolar, dos casais a namorar, das famílias a passear, dos cães a ladrar e a saltar, o meu olhar, fixado nas cores dos barcos que salpicam o mar, foge para uma embarcação particular, mais cinzenta que as demais.
Cá fora, no convés, de olhar longe, muito longe, no vazio, um pescador. Roupa simples, gasta, de trabalho, anos de sol e sal sulcados na pele. Na cabeça, um barrete de Pai Natal.
