O barco desliza ágil sobre a ria dourada. O João, divertido, faz slalom entre as embarcações fundeadas no canal. Procuramos um veleiro específico, e fazemos incursões entre os barcos sinalizados com bandeiras dos mais variados países, de diferentes continentes. “Que histórias terão para contar?” – penso, enquanto sinto no rosto, o ar da deslocação.
O sol está quase a pôr-se e já se começa a sentir a falta do seu calor na pele, mas o rasto dos seus últimos raios ainda aquece o ar que nos abraça.
Os marinheiros a bordo dos barcos pelos quais vamos passando, sentam-se no seu respectivo convés, virados para o sol que se põe, aperitivo na mão, preparados para gozar um dos espectáculos mais bonitos que a ria tem para nos oferecer.
Está um fim de tarde brutal, devias ter vindo. Ias apreciar, com o mesmo detalhe, este momento.
No regresso, mais próximos da praia, vemos alguém a acenar-nos do molhe. És tu! Não conseguiste vir connosco, mas vieste ver-nos passar! Acenamos-te de volta, com alegria sincera e um sorriso estampado no rosto, enquanto cruzamos a ria de regresso ao ponto de partida.
Não vejo a tua cara, está a contraluz, enquanto o sol se põe, incandescente, nas tuas costas, mas sei que a tua expressão e emoções são as mesmas que as nossas.
Mesmo sob perspectivas diferentes, vivemos o momento da mesma forma. Entendemos.
E seguimos ria adentro, pôr-do-sol nas costas, rindo divertidos, enquanto o João, com traquinice de criança, faz a chata saltar na vaga dos barcos que passam por nós. Inspirando sofregamente o ar salgado e quente de final de tarde na ria, aquele ar que recarrega tudo, que dá formigueiro na pele, que nos conecta com o fluxo da vida, que nos faz sentir que naquele preciso momento, estamos exactamente onde temos que estar.
